quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A ESCOLHA DE ADRIANO


Nunca despreze a força de um adversário. Nem mesmo seus argumentos. Eles sempre nos ensinam algo e, melhor de tudo, nos fazem pensar.

Dois dias atrás, um dos candidatos da chapa de oposição me colocou para raciocinar quando questionou os gastos da chapa de situação com a postagem do seu plano de gestão, bem como de uma carta escrita aos advogados para rebater sucessivos vídeos anônimos (prestigiados por Adriano Zanotto, candidato à presidência da OAB/SC).

Embora nunca tenha me candidatado, acompanho eleições da OAB há aproximadamente 20 anos e sei bem que muitas vezes difíceis escolhas precisam ser feitas quanto aos gastos de campanha, até porque é com o esforço pessoal dos próprios candidatos que são definidos os orçamentos.

O envio de materiais impressos pela via postal implica custos, mas é de longe a forma mais eficaz de se levar informações relevantes aos eleitores (advogados, no caso), uma vez que as redes sociais e os e-mails têm alcance muitíssimo limitado, mesmo quando combinados com anúncios na mídia impressa. Certamente por isso, nunca vi uma chapa (de situação ou oposição) deixar de enviar material impresso aos advogados.

Recebi o plano de gestão da chapa de situação. Lendo-o pude conhecer seus candidatos e propostas.

Com o questionamento feito pelo colega de oposição, somado ao fato de que a chapa dele não entregou semelhante material até hoje, a um dia útil da eleição, ficou claro para mim que os oposicionistas optaram por não enviar pelos Correios informações sobre seus candidatos e propostas. Em princípio, nada a questionar quanto a isso, até porque não conheço seu orçamento.

Por outro lado, a chapa de oposição tem anunciado seguidamente no Diário Catarinense, que tem os espaços publicitários mais caros do Estado. Em todos os anúncios consta o nome de Adriano Zanotto e em muitos a sua fotografia, mas lá não vejo os nomes e tampouco os currículos dos 106 candidatos da chapa. Também não são vistas nos anúncios as 82 (segundo informado nas redes sociais) propostas da chapa. Desconfio que na reta final da eleição haverá anúncios similares em outros jornais além do Diário Catarinense.

Porque uma coisa acaba levando a outra, acabei lembrando que, após ter renunciado à presidência da OAB/SC em 2006, Adriano Zanotto tentou se eleger deputado federal naquele mesmo ano, o que fez novamente nas eleições de 2010, em ambas sem sucesso. Na primeira vez obteve 30 mil votos e na segunda a metade disso. Desde então foi nomeado para diversos cargos políticos: Procurador Geral do Estado, Diretor de Engenharia da SC Parcerias, chefe de gabinete do Prefeito de Florianópolis e Presidente do IPREV, estes últimos incompatíveis com o exercício da advocacia.

Em suma, passou a viver de política.

É o que bastou, em minha singela e muito particular opinião, para eu concluir que a decisão de Adriano Zanotto de priorizar anúncios publicitários em detrimento do envio de material impresso pode sim revelar uma intenção oculta, qual seja, de expor seu nome e sua imagem de forma muito mais ampla (embora menos eficaz) que a necessária, alcançando muito mais cidadãos não inscritos na OAB que propriamente os votantes desta nossa eleição.

Para mim, esta priorização revela muito mais o individualismo e o personalismo exacerbados do candidato do que uma intenção verdadeira de se comunicar com os advogados, de defender propostas e tornar conhecidos seus colegas de chapa.

Acredito que o plano de Zanotto transcende os limites da eleição da OAB/SC, principalmente porque nunca entendi a sua surpreendente candidatura, muito menos após ele ter afirmado, no final do ano passado, que propositalmente se afastou das atividades do Conselho Seccional, por admirar muito o trabalho que lá é desenvolvido, reconhecendo inclusive que já é "praticamente dispensado de participar dos debates".

Se eu estiver certo, torna-se desimportante elocubrar sobre o acerto ou desacerto da decisão de Adriano no âmbito da eleição da OAB/SC. O que importa realmente é sabermos se ele foi justo com seus colegas de chapa, que assim não puderam defender suas ideias e nem mesmo se apresentar ao grande conjunto de eleitores.

Só o tempo dirá se Adriano foi justo. E será necessário ainda mais tempo para sabermos se a sua escolha lhe rendeu frutos.

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